Escola sem partido e George Orwell
- Juan Costa
- Mar 11, 2019
- 3 min read
Updated: Feb 14, 2022
"O uso da força pode subjugar momentaneamente, mas não elimina a necessidade de subjugar novamente; e uma nação que precisa ser perpetuamente conquistada não está sendo governada"
Edmund Burke
Acreditar que a moralidade humana é uma massa maleável, capaz de ser esculpida à luz das convicções de outrem, é um conceito que será triste e tardiamente entendido como imoral pela sociedade brasileira - são anos demais à mercê da subjugação filosófica, incompreensão política e desinteresse acadêmico dentro das salas de aula e de nossas próprias casas.
A política na terra tupiniquim é suja, desajeitada, populista e descarrilhada há muito tempo - evidências não faltam. A proclamação da república, a era Vargas, a constituinte de 88, a hiperinflação, a campanha do desarmamento, o mensalão, impeachments e a operação lava-jato (tudo isso pelo menos até a escrita do presente texto) são as pequenas peças de um quebra-cabeça muito complexo, de armadilhas mortais e demagogia sem paralelos no mundo inteiro. Não há registros neste globo de tamanha convulsão política desde a revolução francesa. Mortes por milicianos, centenas de presos, bilhões de dólares, 2 impeachments, candidatos presos e uma das piores recessões economicas da história.
Repito: sem paralelos no mundo inteiro.
Dois pesos e duas medidas: A juventude está idiotizada dentro das unidades de educação, de pesquisa e de produção literária brasileira? Sim. Idiotizada pela pseudociência, ideias intelectualmente languinhentas como o marxismo sacrilégico de Márcia Tiburi e o conservadorismo esquizofrênico de Olavo de Carvalho? Sim. Mas isso não requer uma nova revolução, uma proibição, uma submissão da liberdade de qualquer um de defender o que quiser. A escola sem partido, com todas suas propostas, soa bem. É bom acreditar que podemos aprender restringindo no intelecto do aluno o jogo sujo político do Brasil. Mas é onde o erro reside: este é sujo por consequências das soluções propostas pelo projeto: a ignorância político-social do brasileiro médio foi o que o levou à mercê dos esquemas óbvios de corrupção, influência da mídia e elitismo ignorante.
A pergunta real é: Que tipo de ideia queremos impor, que não pode ser resolvida com argumentos e a velha luta política? Será tão difícil convencer alguém de que a liberdade é o melhor caminho? Será um fardo pesado demais para carregar? A liberdade se apresenta como um filho natimorto, consequência de um aborto republicano de consciência sufrágica tardia. Apenas vagas lembranças pré-republicanas apresentadas em livros de história são o que nos deixa a esperança de uma reanimação da liberdade, ainda que pouco provável.
A esperança é ingênua, depositada ingenuamente no presidente Jair Bolsonaro - que ganhou pelo sufrágio. Pela discussão de família no almoço de domingo, no trabalho, nas lanchonetes e pastelarias.
Os jovens liberais e conservadores hoje no congresso nacional ganharam pelo voto, pela discussão nas escolas secundaristas e universidades. Pela revolta contra o sistema, pela crítica, pela leitura e pela boa e velha discussão.

Não se pode tirar a luta, o ônus, a retórica e a dialética da política.
Não importa o poder destrutivo do comportamento coletivista, a imbecilidade das premissas marxistas de valor e necessidade, não importa a ignorância de nós, jovens, em relação aos problemas reais da sociedade e não importa a apatia do universitário medíocre em relação aos problemas que a vida proporciona.
Nada mais justifica a ação coercitiva de uma instituição que já se provou descapacitada e insalubre: o nosso parlamento e o sistema judiciário.
Lutemos, sem a necessidade de ação do velho leviatã - aquele que profana tudo o que toca - de observar, punir e censurar quem quer que seja. Como um grande irmão Orwelliano.







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